Rio de Janeiro
Entro em tuas entranhas
Saio comendo aranhas
Homens mulheres piranhas
Rio de Janeiro
Cinema de um mundo calado
Com gente sangrando nos leitos
Na sina de ser de ser de ser
Rio de Janeiro
Irmãos escravos dos lixos
Catados com braços guerreiros
Vazio olhar brasileiro
Rio museu da natureza
Escrevo poesias pra você cantar
Rio de Janeiro
Vivo em bang-bang
Esgotos vazando peruas gritando
Em pleno carnaval
Rio de Janeiro
Viajo num mar desvairado
Baias lagoas tão sujas
Governo me da desespero
Rio de Janeiro
Me sinto um inseto barato
Que suga o sangue dinheiro
Cambado na saϊa do medo
Rio museu da natureza
Escrevo poesias pra você cantar
Rio de Janeiro
Promessas são promessas
Acredito só no que vejo
Bundas bundas bundas bundas
Rio de Janeiro
Dançando o sábado inteiro
Samba rap funk
Filando meu passo maneiro
Rio de Janeiro
Paulistas baianos mineiros
São e serão cariocas
No proximo verão brasileiro
Rio museu da natureza
Escrevo poesias pra você cantar
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Rio de janeiro
Je pénètre tes entailles
J’absorbe tes démons
Hommes femmes et travestis
Rio de Janeiro
Cinéma d’un monde muet
Avec ses êtres gisants
Mais prêts à s’en sortir pourtant
Rio de Janeiro
Frères esclaves des poubelles
Qu’ils ramassent avec des bras guerriers
Pays au regard vide
Rio, musée de la nature
J’écris des poésies pour te faire chanter
Rio de Janeiro
Je vogue sur une mer de tourmente
Baies et lagunes polluées
Le gouvernement me désespère
Rio de Janeiro
Je suis comme un parasite
Qui suce le sang et l’argent
Difforme dans l’étoffe de la peur
Rio de Janeiro
Je vis parmi les balles
Les égoûts débordants
Et les paumées hurlant en plein carnaval
Rio, musée de la nature
Je chante des poésies pour te faire chanter
Rio de Janeiro
Les promesses, toujours des promesses
Je ne crois qu’en ce que je vois
Des culs, des culs, des culs, des culs
Rio de Janeiro
Des samedis entiers à danser
Samba, rap, funk
Avec ma demarche chaloupée
Rio de Janeiro
Les gens de São Paulo, Bahia, Minas
Sont et seront cariocas
L’été prochain brésilien
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